Analogia do ser é a expressão usada para tratar da unidade e da diversidade dos sentidos em que se atribui ser às coisas. Na tradição aristotélica e tomista, realidades diferentes podem ser chamadas de entes sem que essa palavra tenha sempre um significado inteiramente idêntico ou apenas acidentalmente semelhante.

O problema aparece na relação entre uma substância e suas propriedades e, na teologia de Tomás de Aquino, na relação entre Deus e as criaturas. A analogia procura explicar como há uma ligação inteligível entre esses usos, preservando suas diferenças.

Unívoco, equívoco e análogo

Um termo é unívoco quando conserva a mesma definição nos casos em que é aplicado. Na classificação comum, gato e cachorro são animais: o termo animal mantém o mesmo sentido geral, embora as espécies sejam diferentes.

Um termo é equívoco quando a mesma palavra tem significados distintos, sem a unidade relevante para aquele argumento. Banco pode ser uma instituição financeira ou um assento. Inferir uma propriedade do assento a partir do que se sabe sobre a instituição seria um erro de linguagem.

Um termo análogo tem sentidos diferentes, mas relacionados. Saudável pode qualificar um organismo, uma alimentação e um sinal observado num exame. O organismo possui saúde; a alimentação favorece a saúde; o sinal pode indicá-la. Os usos se organizam por referência a um mesmo termo principal.

Os sentidos do ser em Aristóteles

No livro IV da Metafísica, Aristóteles afirma que o ser se diz de diversos modos relacionados a um princípio. A substância ocupa uma posição central nessa organização.

Uma árvore é um indivíduo que possui características. Sua altura, por outro lado, é uma determinação da árvore. Ambas podem ser consideradas reais, mas não existem do mesmo modo: a altura é altura de alguma coisa. A distinção entre substância e acidentes procura descrever essa dependência.

O problema permite compreender por que a metafísica pode investigar o ser de modo geral sem tratar todas as coisas como membros de um único gênero. A unidade da investigação depende de relações entre os sentidos, e não de apagar as diferenças entre eles.

Tomás de Aquino e os nomes de Deus

Na teologia de Tomás, o problema assume outra forma: como palavras aprendidas no conhecimento das criaturas podem ser aplicadas a Deus? Se Deus e as criaturas são radicalmente diferentes, em que sentido é possível dizer que Deus é bom ou sábio?

Na questão 13 da primeira parte da Suma Teológica, especialmente no artigo 5, Tomás rejeita tanto uma aplicação inteiramente unívoca quanto uma equivocidade completa. Os nomes se aplicam analogicamente, a partir da relação entre as criaturas e seu princípio.

Uma pessoa possui conhecimento de maneira limitada e pode adquiri-lo com o tempo. Para Tomás, a sabedoria divina não é uma capacidade adquirida nem uma qualidade acrescentada a Deus. A perfeição significada pela palavra permanece relevante, mas o modo humano de possuí-la não é transferido sem alteração.

A linguagem parte do que conhecemos nas criaturas; na ordem da realidade, segundo essa doutrina, Deus é o princípio do qual elas dependem. A diferença entre essas duas ordens explica por que o primeiro objeto do nosso conhecimento não precisa ser o primeiro fundamento do ser.

Analogia e metáfora

Tomás distingue nomes como bom e sábio de expressões metafóricas. Chamar Deus de rocha emprega uma imagem para significar firmeza ou proteção; não atribui a Deus a natureza de um mineral.

Já a afirmação de bondade, em sua análise, pretende dizer algo propriamente verdadeiro, embora o modo de significar aprendido na experiência humana permaneça limitado. A distinção evita reunir toda linguagem religiosa numa única categoria.

O debate entre as escolas

A história das teorias medievais da analogia inclui desacordos sobre conceitos, linguagem e demonstração. Duns Scotus, por exemplo, defendeu a necessidade de um conceito unívoco de ser para certos argumentos que passam das criaturas a Deus.

Isso não significa que ele considerasse Deus e as criaturas realidades iguais. A discussão envolve a unidade do conceito e a maneira como ela permite raciocinar. Comentadores tomistas posteriores também divergiram ao sistematizar tipos de analogia.

A analogia do ser pertence, assim, a uma investigação sobre como conhecer e falar de realidades diferentes. Compreender o conceito exige identificar a relação afirmada em cada caso e os argumentos que a sustentam, especialmente quando se passa de exemplos da linguagem comum a teses metafísicas.