Areté Amazon é uma palavra grega geralmente traduzida por excelência ou virtude. Seu sentido depende daquilo de que se fala: pode indicar a qualidade pela qual uma pessoa, um ser vivo ou uma coisa desempenha bem sua atividade própria.

Quando aplicada à vida humana, a palavra passou por transformações importantes. A excelência celebrada nos poemas homéricos, a virtude investigada nos diálogos de Platão e a disposição moral descrita por Aristóteles pertencem a contextos diferentes. A história do conceito acompanha mudanças no modo grego de compreender a formação e a vida boa.

A excelência no mundo de Homero

Nos poemas homéricos, o ideal de excelência está ligado ao valor reconhecido numa sociedade aristocrática: coragem, capacidade de combate, conselho, honra e responsabilidade diante de outros. O herói é avaliado por suas ações e pela maneira como corresponde às expectativas de seu grupo.

No canto VI da Ilíada, Glauco relata que seu pai o enviou à guerra com a orientação de se destacar e honrar sua linhagem. A passagem exemplifica um ideal público de excelência, ligado à memória familiar e à reputação entre os companheiros.

Esse contexto não corresponde ainda a uma teoria sistemática da virtude moral. A força de um guerreiro e sua posição social têm grande importância, enquanto os filósofos posteriores perguntarão de maneira mais explícita se a excelência exige conhecimento, justiça e domínio dos desejos.

A pergunta de Sócrates e Platão

O Mênon, de Platão, começa com uma pergunta sobre a possibilidade de ensinar a virtude. Sócrates responde que primeiro é necessário esclarecer o que ela é.

Mênon apresenta virtudes associadas a diferentes posições na sociedade. Sócrates procura aquilo que permitiria reconhecer todas como virtude. A investigação passa de uma enumeração de qualidades para a exigência de uma explicação comum.

O diálogo também examina a relação entre virtude, conhecimento e opinião verdadeira. Uma pessoa pode agir corretamente sem conseguir explicar de modo estável por que sua ação é correta. A questão educativa passa a incluir o tipo de compreensão que permite orientar a conduta.

Aristóteles: função e vida boa

No livro I da Ética a Nicômaco, Aristóteles relaciona o bem de uma atividade à sua realização excelente. Uma boa execução musical, por exemplo, depende da excelência de quem toca. Para investigar o bem humano, ele procura identificar a atividade característica da vida humana.

Sua resposta destaca a atividade da alma de acordo com a razão. A felicidade, ou eudaimonía, envolve o exercício dessa atividade segundo a virtude, ao longo de uma vida. A excelência humana diz respeito, portanto, ao modo de viver e agir.

Aristóteles distingue virtudes intelectuais, ligadas ao conhecimento e ao pensamento, de virtudes éticas, ligadas ao caráter. As primeiras dependem especialmente do ensino; as segundas se desenvolvem pela formação de hábitos.

Virtude como disposição

No livro II da Ética, uma virtude torna bom aquele que a possui e boa a atividade que ele realiza. A coragem, por exemplo, não consiste apenas em sentir pouco medo: envolve enfrentar aquilo que deve ser enfrentado, pelas razões e nas circunstâncias adequadas.

A conhecida doutrina do meio relaciona a virtude a excessos e faltas. O meio não é uma média matemática igual para todos os casos. Agir bem exige compreender a situação, as pessoas envolvidas e o fim da ação.

Também há diferença entre realizar ocasionalmente uma ação correta e possuir uma virtude. A formação do caráter envolve escolha consciente e estabilidade. Uma única atitude generosa não permite concluir, sem mais, que alguém desenvolveu a generosidade.

Areté e educação

O conceito de areté está relacionado à paideia, a formação humana no mundo grego. Essa formação assumiu formas diversas, ligadas à vida política, à poesia, ao exercício físico e à filosofia.

A diferença entre excelência técnica e virtude moral continua útil. Uma pessoa pode executar com grande habilidade uma tarefa e empregar essa habilidade para um fim injusto. A reflexão ética pergunta também pelo propósito, pela escolha e pelo caráter do agente. É nesse sentido que areté ultrapassa a capacidade de obter um resultado e se torna uma questão sobre a qualidade da vida humana.