Crime e Castigo Amazon , de Fiódor Dostoiévski, acompanha Rodion Raskólnikov, um ex-estudante pobre que vive em São Petersburgo e comete um assassinato. O romance investiga seus motivos, as tentativas de justificar o ato e a dificuldade de voltar a se relacionar com outras pessoas. A investigação policial se desenvolve junto de um conflito moral que não se resolve simplesmente com a descoberta do culpado.
O resumo inclui o desfecho. O romance, dividido em seis partes e um epílogo, pode ser consultado na tradução histórica de Constance Garnett.
Raskólnikov e o crime
Isolado num quarto pequeno e endividado, Raskólnikov planeja matar Aliona Ivánovna, uma mulher que empresta dinheiro mediante penhor. Ele reúne justificativas diferentes: a vítima seria nociva, o dinheiro poderia ajudar outras pessoas e homens excepcionais teriam permissão para ultrapassar regras comuns.
Ao executar o plano, também mata Lizaveta, irmã de Aliona, que chega inesperadamente. Essa segunda morte desfaz a aparência de um cálculo inteiramente controlado. Raskólnikov foge, esconde os objetos roubados e não os utiliza para realizar o bem que imaginara. A partir daí, alterna febre, medo, hostilidade e impulsos de aproximação.
O leitor conhece o autor do crime desde o início. O suspense depende menos de descobrir quem matou que de acompanhar até onde Raskólnikov conseguirá sustentar o segredo e sua explicação para o que fez.
A teoria do homem extraordinário
Na parte III, capítulo V, o investigador Porfíri discute com Raskólnikov um artigo que ele publicara. Segundo a tese do jovem, certas pessoas capazes de introduzir uma ideia nova poderiam autorizar a si mesmas a transgredir normas, até com derramamento de sangue, quando isso fosse necessário à realização de seu projeto.
Porfíri pergunta como distinguir esses indivíduos dos que apenas se imaginam excepcionais. A pergunta atinge Raskólnikov diretamente. O crime é também uma tentativa de descobrir a que categoria ele pertence. A ambição pessoal se mistura às razões aparentemente altruístas; o romance não permite reduzir seus motivos apenas à pobreza ou a uma única doutrina.
Sônia, Dúnia e Razumíkhin
Sônia Marmieládova vive da prostituição para ajudar a sustentar a família. Sua situação aproxima sofrimento social, vergonha e responsabilidade pelos outros. Raskólnikov a procura e pede que leia a passagem evangélica da ressurreição de Lázaro. Mais tarde, confessa a ela os assassinatos.
Sônia não aceita suas justificativas, mas tampouco o reduz ao crime. Incentiva-o a assumir a responsabilidade e não o abandona. A possibilidade de uma relação que não se baseie em superioridade ou domínio se torna parte importante do desenvolvimento do protagonista.
Dúnia, irmã de Raskólnikov, enfrenta suas próprias escolhas. Seu noivado com Lújin envolve a possibilidade de melhorar a situação da família, mas o comportamento controlador dele leva à ruptura. Razumíkhin, amigo do protagonista, presta ajuda prática e se aproxima de Dúnia. Esses personagens ampliam o romance para além da consciência do assassino e mostram outras respostas à pobreza e à dependência.
Porfíri e Svidrigáilov
Porfíri conduz uma investigação em que conversas, silêncios e reações importam tanto quanto indícios materiais. Percebe as contradições de Raskólnikov e o pressiona a se entregar. Ainda assim, suspeita policial e reconhecimento moral não são a mesma coisa: o protagonista pode admitir que foi descoberto sem aceitar plenamente que errou.
Svidrigáilov, ligado ao passado de Dúnia, funciona como outro contraponto. Ele combina atos de auxílio com abuso e manipulação, e tenta aproveitar-se do conhecimento do crime. Sua trajetória termina em suicídio. O contraste com Sônia ajuda a tornar concretas alternativas que, para Raskólnikov, inicialmente apareciam como questões abstratas.
A confissão e o epílogo
Raskólnikov acaba se apresentando à polícia e recebe uma condenação de oito anos de trabalhos forçados na Sibéria. Sônia vai para perto dele. No início do epílogo, contudo, a punição não corresponde a um arrependimento consumado: ele ainda considera seu fracasso mais vergonhoso que a teoria que tentou aplicar. Essa distinção é explícita no epílogo do romance.
Somente no encerramento, por meio da relação com Sônia e de uma mudança na maneira de percebê-la, surge a possibilidade de renovação. O narrador anuncia que essa transformação pertenceria a uma nova história, não desenvolvida ali.
O castigo do título inclui, portanto, a pena legal e o processo de isolamento provocado pelo crime. A conclusão não demonstra que sofrer basta para tornar alguém melhor; distingue ser punido de reconhecer o mal praticado e começar a reconstruir a própria vida.
