O necrológio, no exercício que Olavo de Carvalho propõe, não é o obituário que os outros escrevem. É o texto que você escreve sobre si mesmo como se já tivesse morrido — para ver, de fora, o que a vida está de fato produzindo.

A pergunta não é “como gostaria de ser lembrado” no sentido de marca pessoal. É o que amigos, família e conhecidos teriam de verdadeiro para dizer, e o que ficaria de fora. O desconforto dessa diferença é o ponto do exercício.

Como fazer

Escreva. Imagine o que diriam depois da sua morte — não o elogio, o relato. O que foi feito, o que ficou pela metade, o que ninguém notaria se sumisse.

Isso serve de régua para o dia. A decisão que você adia, o trabalho que você trata como urgente e o que de fato deixa rastro ficam mais fáceis de distinguir quando o fim está na página.

Pode ser um texto longo, uma vez. Pode ser uns minutos no fim do dia: o que de hoje entraria nesse relato, e o que não entraria. O hábito é o mesmo do mapa da ignorância e da origem das ideias: olhar de fora o que a mente prefere não nomear.

Os sete exercícios, neste incluso, estão em Exercícios Intelectuais.