A Nova Era e a Revolução Cultural: Fritjof Capra & Antonio Gramsci Amazon é um livro de Olavo de Carvalho publicado em 1994. Ele reúne uma crítica às ideias de Capra sobre ciência e visão de mundo e uma interpretação da estratégia cultural de Gramsci. A aproximação entre os dois autores é o argumento do livro: Olavo procura mostrar consequências semelhantes em propostas que partem de tradições diferentes.
A discussão de Fritjof Capra
Capra tornou-se conhecido pela aproximação entre temas da física moderna, tradições espirituais orientais e uma concepção sistêmica da realidade. No primeiro ensaio, Olavo contesta a passagem de resultados científicos para uma orientação cultural abrangente. Seu objeto é o uso filosófico dessas interpretações, especialmente a promessa de uma transformação da consciência fundada em uma nova imagem da natureza.
A questão pode ser formulada com precisão: de que modo uma teoria física sustenta conclusões sobre religião, sociedade ou conduta humana? Uma semelhança de linguagem não resolve o problema. Dizer que fenômenos são interdependentes, por exemplo, pode ter sentidos diferentes numa descrição científica e numa proposta ética. A avaliação da comparação depende de explicitar esses sentidos e o argumento que os conecta.
A leitura de Antonio Gramsci
O ensaio sobre Gramsci se concentra na importância da cultura para a disputa política. Olavo lê a formação do consenso, o papel dos intelectuais e a transformação do senso comum como elementos de uma estratégia revolucionária. Seu interesse está na influência duradoura sobre valores e critérios de julgamento, para além da ocupação imediata do governo.
Essa é a leitura crítica de Olavo, não uma apresentação exaustiva dos Cadernos do cárcere Amazon . A diferença importa: explicar o lugar dos intelectuais em Gramsci e sustentar que uma instituição brasileira seguiu deliberadamente um projeto gramsciano são afirmações distintas. A segunda exige documentação sobre pessoas, decisões, organizações e circunstâncias; a familiaridade de certas ideias não basta para demonstrá-la.
Por que reunir os dois autores
Na comparação que conclui o argumento, Olavo procura identificar uma redução do conhecimento a processos naturais ou históricos e a projetos de transformação coletiva. Ele se opõe à subordinação da consciência individual a explicações que, em sua avaliação, pretendem determinar antecipadamente o que a pessoa pode conhecer e qual mudança cultural deve desejar.
A aproximação é filosófica. Não depende de afirmar que Capra e Gramsci formularam a mesma doutrina ou atuaram em uma organização comum. O que se deve examinar é a pertinência do traço que Olavo escolhe para compará-los: ele descreve adequadamente cada pensamento? As diferenças entre uma proposta de visão científica e uma teoria da ação política limitam a comparação? Essas perguntas incidem sobre a construção do próprio livro.
O início da trilogia
A obra antecede O Jardim das Aflições Amazon , de 1995, e O imbecil coletivo Amazon , de 1996. Na apresentação da sequência, o autor relaciona a crítica de ideias, a interpretação histórica e o exame de casos brasileiros. Cada volume tem organização própria.
O interesse específico de A Nova Era e a Revolução Cultural Amazon está nessa crítica comparativa. Para acompanhá-la, convém manter separadas a exposição das ideias de Capra e Gramsci, a objeção feita a cada um e a conclusão que Olavo extrai da aproximação entre eles. É nessa passagem, e não apenas na escolha dos adversários, que se encontra a tese do livro.
