O Feijão e o Sonho Amazon , de Orígenes Lessa, é um romance publicado em 1938 sobre o conflito entre a criação literária e as necessidades materiais de uma família. Seus protagonistas são o escritor e professor José Bentes de Campos Lara, chamado de Juca, e sua mulher, Maria Rosa. A história acompanha o casamento, a carreira do escritor e o crescimento dos filhos.

Campos Lara e Maria Rosa

Campos Lara dedica grande parte de sua atenção à literatura e tem dificuldade para organizar a vida prática. Maria Rosa enfrenta as tarefas domésticas e as preocupações com o sustento. A oposição entre os dois aparece desde o início, em cenas de trabalho, cobranças e conversas familiares, como se pode ler na amostra da edição Ática.

A escola de Campos Lara também participa do conflito. Em Capinzal, sua falta de atenção às conveniências locais e aos interesses de pessoas influentes dificulta o trabalho. A apresentação do livro na Biblioteca Digital e Sonora da UnB destaca o problema com os filhos de Chico Matraca. Assim, o romance não trata apenas de uma discordância abstrata entre marido e mulher: o modo de agir do poeta tem consequências para o orçamento e para suas relações sociais.

O desenvolvimento da história

Depois da experiência no interior, Campos Lara volta a São Paulo. Seus romances conquistam reconhecimento, e ele consegue trabalho na imprensa e, mais tarde, numa repartição. O prestígio literário, entretanto, não elimina as dificuldades financeiras nem a distância entre ele e a família.

Com o passar dos anos, uma nova geração de escritores contesta sua obra. Desiludido, ele abandona a criação literária e se aproxima da vida doméstica, percebendo o quanto deixou de acompanhar a infância dos filhos.

O desfecho

No último capítulo, Joãozinho mostra ao pai um poema e pergunta se deve continuar escrevendo. Campos Lara reconhece o talento do filho, mas se lembra dos sacrifícios de sua própria trajetória. Entre o orgulho e o receio, não encontra resposta.

O sentido do título

O feijão representa as exigências do sustento; o sonho, a vocação artística. A relação entre trabalho remunerado e criação também aparece na discussão do romance feita em uma pesquisa da Unesp sobre trabalho e subjetividade, nas páginas 78–79.

Uma leitura possível do final é que o impasse se transmite à geração seguinte. A pergunta do filho obriga Campos Lara a considerar, ao mesmo tempo, o valor da poesia e o custo de sua dedicação exclusiva. O silêncio não significa que a história tenha deixado de mostrar o destino do casal: ele concentra a dúvida sobre o futuro do novo poeta.