Viés de confirmação é o nome dado a padrões de busca, seleção ou interpretação de informação que favorecem uma hipótese ou crença já considerada. O problema aparece quando a pessoa exige pouco das evidências favoráveis e muito das contrárias, ou escolhe testes que dificilmente revelariam seu erro. Isso não significa que toda convicção forte seja irracional.
Conhecimento anterior é necessário para interpretar novas informações. A dificuldade está em protegê-lo de qualquer revisão, inclusive quando os resultados deveriam contar contra ele. Para examinar esse padrão, é preciso observar como a evidência é procurada e avaliada, além de saber qual conclusão a pessoa defende.
A tarefa dos números de Wason
Em 1960, Peter Wason apresentou a participantes a sequência 2, 4, 6 e pediu que descobrissem a regra que ela exemplificava. Eles podiam propor outras trincas e receber uma indicação de conformidade. A regra usada era ordem crescente, mais ampla do que hipóteses como números pares que aumentam de dois em dois.
Se alguém testa apenas 8, 10, 12 e 20, 22, 24, recebe respostas positivas compatíveis com várias regras. Uma trinca como 1, 2, 7 permite distinguir ordem crescente daquela hipótese mais estreita. Escolha um teste informativo para comparar possibilidades; um resultado negativo, sozinho, pode não ajudar a distingui-las.
Dos 29 participantes, seis chegaram à regra correta sem antes anunciar uma regra errada. O resultado pertence a essa tarefa e amostra. Não permite concluir que todas as pessoas, em qualquer contexto, sejam incapazes de testar hipóteses ou que uma única demonstração explique todo desacordo político.
Quando os mesmos estudos recebem avaliações diferentes
Em 1979, Charles Lord, Lee Ross e Mark Lepper selecionaram 48 estudantes favoráveis ou contrários à pena de morte e lhes apresentaram estudos fictícios com resultados opostos sobre seu efeito dissuasório. Os participantes tenderam a avaliar melhor o estudo que apoiava sua posição inicial.
A experiência examinou a assimilação de informações e relatou polarização. Parte das medidas perguntava aos participantes como suas atitudes haviam mudado. Os autores discutiram a diferença entre mudança efetiva e mudança relatada. O estudo não demonstra que oferecer evidência sempre aumenta a distância entre posições.
O caso ajuda a formular uma pergunta sobre os critérios de avaliação. Você aceitaria o mesmo tamanho de amostra e o mesmo método se o resultado favorecesse a conclusão contrária? A resposta pode revelar uma assimetria. Mas também pode haver uma razão pertinente para desconfiar de determinado resultado; ela precisa ser explicitada e aplicada com consistência.
Teste positivo não é necessariamente um erro
Joshua Klayman e Young-Won Ha, em 1987, distinguiram viés de confirmação e estratégia de teste positivo. Procurar casos em que a hipótese prevê a presença de algo pode ser informativo, dependendo da estrutura do problema. O método pode até encontrar uma refutação se o resultado esperado não ocorrer.
Isso corrige uma versão excessivamente simples do conselho “procure sempre o contrário”. Um teste precisa ser avaliado pelo que permite aprender. Reunir exemplos negativos irrelevantes não melhora a investigação. A questão é quais resultados distinguiriam a hipótese atual de uma alternativa plausível.
Imagine uma biblioteca que passe a abrir mais cedo e registre aumento de visitas pela manhã. Se a pergunta é se o novo horário trouxe novos frequentadores, contar apenas entradas matinais não basta. Pode ter ocorrido deslocamento de visitas antes feitas à tarde. Esse exemplo é hipotético e mostra por que definir a pergunta muda o dado necessário.
Como perceber a seleção de evidências
A seleção pode começar antes da leitura: você busca somente termos que já associam uma medida ao sucesso ou ao fracasso. Pode continuar na escolha de casos, quando episódios favoráveis ganham destaque e os demais desaparecem. Também pode surgir na interpretação, ao tratar a mesma falha metodológica como decisiva em um estudo e irrelevante em outro.
Esses sinais são perguntas de revisão, não um teste clínico. Uma pessoa pode recorrer a fontes semelhantes porque são as que conhece, porque encontrou uma demonstração sólida ou porque evita objeções. Para distinguir essas possibilidades, é necessário examinar o percurso e as razões, sem adivinhar intenções.
Um procedimento de conferência
Escreva a hipótese e uma alternativa antes de reunir novos exemplos. Defina o que contaria a favor e o que exigiria revisão. Em seguida, procure informação capaz de separar as duas explicações. Ao registrar o resultado, inclua casos contrários e diga por que receberam determinado peso.
Peça também que outra pessoa aplique seus critérios. Se o procedimento muda conforme o autor ou o grupo beneficiado, explique a diferença ou corrija a regra. Justifique as diferenças de valor atribuídas às fontes conforme critérios relevantes para a pergunta.
Viés de confirmação e dissonância cognitiva podem se relacionar, mas não são sinônimos. O primeiro descreve padrões de tratamento de evidência; a segunda teoria trata da motivação para reduzir incompatibilidades.
