Relativismo é o nome de uma família de posições segundo as quais a verdade, a justificação ou a validade de certos juízos depende de um referencial, como uma cultura, um sistema de crenças ou um padrão de avaliação. Há versões restritas a um domínio e versões que pretendem alcançar o conhecimento de modo mais amplo.

Definir o referencial e o alcance da tese é essencial. Dizer que uma conduta contraria os costumes de uma comunidade, por exemplo, é diferente de afirmar que seu valor moral depende inteiramente desses costumes.

O que significa ser relativo

Muitas afirmações são relacionais sem produzir controvérsia filosófica. Um edifício pode ser alto em comparação com as casas de uma vila e baixo em relação aos prédios de uma metrópole. A mudança está no termo de comparação, que pode ser explicitado.

O relativismo filosófico aparece quando se defende que certos juízos só podem ser considerados verdadeiros ou válidos em relação a padrões particulares, sem um critério independente que resolva todas as divergências. Isso não equivale necessariamente a negar qualquer verdade.

A literatura filosófica sobre relativismo distingue posições bastante diferentes. Algumas tratam de gostos; outras, de normas morais, padrões de racionalidade ou verdade. Uma objeção bem dirigida precisa identificar qual dessas teses está em exame.

Relativismo moral e diversidade cultural

O relativismo moral sustenta, em certas formulações, que a verdade ou a justificação dos juízos morais depende de normas de uma sociedade ou grupo. Uma mesma prática poderia receber avaliações diferentes segundo códigos distintos, sem que houvesse um padrão moral universal para decidir entre eles.

Isso deve ser separado da observação de que existem diferenças culturais. Constatar um desacordo não demonstra que os lados tenham igual razão, assim como concordar amplamente não garante que um juízo seja verdadeiro.

Os defensores do relativismo consideram que a diversidade profunda e persistente de valores dificulta a identificação de um padrão universal. Seus críticos respondem que essa diversidade pode esconder compromissos compartilhados ou resultar de diferenças factuais sobre as situações. O estudo sobre relativismo moral apresenta essas distinções.

Relativismo epistemológico

O relativismo epistemológico diz respeito aos padrões pelos quais uma crença é considerada justificada ou racional. A questão é se esses padrões podem ser avaliados independentemente do sistema em que funcionam.

Dois grupos podem discordar sobre o peso de uma tradição, de um testemunho ou de uma observação. O problema filosófico surge quando se pergunta como comparar os critérios empregados por eles. Examinar a evidência disponível, as consequências das crenças e a consistência dos argumentos faz parte dessa discussão.

Admitir que nossas crenças são influenciadas pela história não decide a questão. É possível reconhecer essa influência e, ainda assim, defender que algumas explicações são mais bem sustentadas que outras.

A discussão antiga e a autorrefutação

No Teeteto, Platão examina a tese atribuída a Protágoras de que o ser humano é a medida das coisas. O diálogo explora as dificuldades de uma posição segundo a qual aquilo que parece verdadeiro a alguém é verdadeiro para essa pessoa.

Uma objeção pergunta o que acontece quando alguém julga falsa essa própria tese. Se todo juízo é verdadeiro para quem o sustenta, a discordância também deveria ser reconhecida. Surge então o problema de explicar em que sentido o relativista pretende convencer os demais.

Essa dificuldade atinge especialmente formulações muito amplas. Um relativismo limitado a certos juízos morais ou estéticos não assume necessariamente que toda opinião sobre qualquer assunto seja verdadeira. Sua defesa e sua crítica exigem argumentos adicionais.

Tolerância, pluralismo e crítica

Tolerância é uma atitude ou princípio sobre como tratar pessoas e práticas com as quais se discorda. Ela pode ser defendida por razões universais, como o respeito à liberdade. Também é possível que uma comunidade relativista adote normas intolerantes; a conclusão moral não decorre automaticamente da tese filosófica.

Pluralismo pode reconhecer vários bens ou formas legítimas de vida sem afirmar que todos os juízos têm a mesma validade. Do mesmo modo, admitir a possibilidade de erro próprio é uma atitude de revisão das crenças, compatível com a busca de conhecimento objetivo.

Uma discussão cuidadosa começa, assim, por formular a afirmação precisa: o que está sendo considerado relativo, a que padrão e com quais razões? Isso permite avaliar o argumento sem confundir diferenças de perspectiva com uma teoria geral sobre a verdade.