“Mentalidade revolucionária” é o nome que Olavo de Carvalho dá à disposição de transformar integralmente a sociedade em nome de um futuro considerado superior. Em sua definição, o elemento decisivo é a pretensão de justificar os atos presentes por esse futuro, colocando o projeto acima do julgamento de outras pessoas.

A definição de Olavo

No artigo “A mentalidade revolucionária”, publicado no Diário do Comércio Amazon em 16 de agosto de 2007, Olavo apresenta o argumento: uma sociedade futura não pode julgar os atos de quem afirma representá-la no presente. Seu pretenso porta-voz exclusivo acaba conferindo a si mesmo essa autoridade. Olavo associa tal posição à recusa de limites para a transformação social.

O alcance do conceito

O autor esclarece que sua definição não abrange todos os acontecimentos chamados de revolução na historiografia. Uma rebelião limitada à independência de um país, por exemplo, não precisa conter o projeto de refazer integralmente a vida humana. O critério é o alcance da transformação pretendida e a autoridade reivindicada.

Como avaliar a interpretação

A definição permite formular uma pergunta sobre a justificação dos meios: um objetivo futuro autoriza qualquer ação no presente? Mas aplicar o conceito a um episódio histórico exige examinar documentos, decisões e práticas do movimento em questão.

É preciso verificar se havia realmente um projeto integral de transformação, quais limites seus participantes reconheciam e como reagiam a críticas. Também importa distinguir a posição de dirigentes, a doutrina declarada e a atuação de pessoas que apoiavam o movimento por razões diferentes.

Esses cuidados são necessários porque uma categoria ampla pode aproximar experiências que diferem em aspectos importantes. A força da interpretação depende de explicar essas diferenças, além das semelhanças que identifica.

Termo político e diagnóstico clínico

O conceito apresentado no artigo é uma interpretação filosófica e política, não um diagnóstico clínico. Empregar palavras ligadas à saúde mental como insulto não demonstra a validade da análise. Para discutir a tese de Olavo, o procedimento relevante é reconstruir seu argumento e confrontá-lo com os casos históricos aos quais se pretende aplicá-lo.