Mário Ferreira dos Santos, um dos maiores filósofos brasileiros, dizia algo incômodo: o Brasil é um país pré-lógico.
Isso não é ofensa gratuita. É um diagnóstico. O pensamento predominante entre nós ainda não atingiu o patamar da racionalidade ordenada. Em vez de lógica, temos um amontoado de impressões, afetos, frases feitas e contradições não percebidas.
Aqui, pouca gente sabe distinguir opinião de verdade. Menos ainda reconhecem que certas ideias são incompatíveis entre si. O debate, quando acontece, é uma colcha de retalhos sem costura: palavras soltas, juízos apressados, referências mal digeridas. E se você aponta a incoerência, vira o vilão. O problema não é o erro, é o incômodo de ser confrontado com ele.
Mário observava que o brasileiro médio tem horror à ordem — inclusive à ordem do pensamento. Prefere a esperteza ao rigor, o improviso à coerência, o emocionalismo à clareza. Argumentar com lógica é visto como arrogância. Buscar precisão é “não ter jogo de cintura”.
Assim, o debate morre. E não porque as pessoas discordam, mas porque não compartilham os fundamentos do pensar. Cada um fala a sua própria língua, redefine as palavras conforme a conveniência e rejeita qualquer critério que limite a expressão do seu ego.
Isso não é apenas um problema político ou educacional. É algo mais profundo, mais estrutural. O que falta não é só conhecimento, é disposição para amar a verdade acima da imagem pública, da militância ou da autoproteção.
Mário Ferreira tentou nos ensinar lógica, filosofia, dialética. Fez isso com uma clareza impressionante, criando obras acessíveis e densas ao mesmo tempo. E foi ignorado. Não por falta de mérito, mas porque seu esforço exigia mais do que estamos dispostos a dar: atenção, humildade e vontade real de pensar.
Se queremos restaurar o debate no Brasil, temos que começar por onde ninguém quer começar: pelo alicerce. Pela lógica. Pela distinção entre verdade e falsidade. Pela coragem de pensar com honestidade.
Ignorar isso é continuar fingindo que estamos debatendo, quando na verdade só estamos ensaiando brigas em câmera lenta, embaladas por vaidade, slogans e ressentimento.
Talvez ainda haja tempo de reaprender. E nesse caso, Mário Ferreira dos Santos é leitura obrigatória.
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