Imagine uma criança que recebe um doce depois de insistir no supermercado. Se, em ocasiões seguintes, a insistência se torna mais frequente porque foi seguida pelo doce, a consequência funcionou como reforço. O efeito precisa ser observado ao longo do tempo; uma única cena não basta para demonstrá-lo.

B. F. Skinner (1904–1990) estudou situações assim em laboratório com ratos e pombos e depois aplicou o que viu ao comportamento humano. Chamou de operante o comportamento que "opera" sobre o ambiente, isto é, que produz alguma mudança no mundo: apertar um botão, abrir uma porta, fazer uma pergunta, chorar. Condicionamento operante, em uma frase, é a mudança na frequência de um comportamento produzida pelas consequências que ele teve. O que é reforçado tende a se repetir; o que é punido ou deixa de ser reforçado tende a diminuir.

A análise considera antecedentes, resposta e consequência. Um estímulo discriminativo sinaliza uma situação em que determinada resposta teve maior probabilidade de ser reforçada. No exemplo hipotético, a presença de uma pessoa que costuma atender à insistência pode adquirir essa função. Não basta chamar todo o contexto de estímulo discriminativo: é a história de reforço que estabelece essa relação.

De Thorndike a Skinner

A ideia tem um antecessor. Edward Thorndike, no fim do século XIX, colocava gatos em caixas-problema das quais eles saíam ao puxar uma alavanca. Com as tentativas, o tempo de fuga diminuía. Thorndike formulou a "lei do efeito" (Animal Intelligence Amazon , 1911): respostas seguidas de satisfação tendem a se fixar.

Skinner, figura central do behaviorismo depois de Watson, transformou essa observação num programa experimental. Em The Behavior of Organisms Amazon (1938), seu tratado técnico, sistematizou a diferença entre comportamento respondente e operante. Construiu uma câmara experimental, depois apelidada de "caixa de Skinner", em que um rato pressiona uma barra ou um pombo bica um disco, e um mecanismo registra cada resposta ao longo do tempo. A medida principal passou a ser a taxa de resposta: quantas vezes por minuto o comportamento ocorre.

Reforço e punição: os quatro casos

Aqui mora a confusão mais comum. Em Skinner, "positivo" significa acrescentar algo ao ambiente e "negativo" significa retirar. São termos de operação, como numa soma.

  • Reforço positivo: acrescenta-se algo, e o comportamento aumenta. O pombo bica o disco e recebe grão.
  • Reforço negativo: retira-se algo desagradável, e o comportamento aumenta. Você coloca o cinto de segurança e o alarme do carro para de apitar.
  • Punição positiva: acrescenta-se algo desagradável, e o comportamento diminui. A criança encosta no fogão e se queima.
  • Punição negativa: retira-se algo agradável, e o comportamento diminui. O adolescente chega tarde e perde o celular no fim de semana.

Há ainda a extinção: uma resposta antes reforçada deixa de produzir o reforço. Sua frequência tende a diminuir, mas pode haver aumento inicial, variações e reaparecimentos. O caso hipotético da birra ajuda a visualizar o processo; não autoriza prever que toda insistência infantil desaparecerá da mesma maneira.

Skinner insistia que a punição é um modo pouco eficaz de controle. Em Ciência e comportamento humano Amazon (1953), ele argumenta que ela suprime a resposta enquanto a ameaça está presente, deixa sem ensinar o que fazer no lugar e produz efeitos colaterais como medo e fuga.

Quando o reforço vem

Os esquemas de reforço diferem conforme a consequência dependa de um número de respostas ou da passagem de tempo. Na razão fixa, reforça-se uma quantidade determinada de respostas; na razão variável, essa quantidade muda. No intervalo fixo, a primeira resposta depois de um período determinado recebe reforço. Num experimento, por exemplo, a primeira pressão à barra depois de um minuto produz alimento. No intervalo variável, o tempo necessário muda a cada ocasião.

A razão variável costuma manter taxas altas e estáveis de resposta. O intervalo variável também produz regularidade, em geral com taxas menores nas comparações didáticas usuais. O reforço intermitente pode tornar a resposta resistente à extinção. Jogos de azar e a consulta de mensagens servem como analogias, desde que se especifique a resposta e a consequência; isso não demonstra que um aplicativo tenha sido projetado a partir da teoria de Skinner.

Modelagem e a "superstição" do pombo

Comportamentos complexos raramente aparecem prontos para ser reforçados. Skinner desenvolveu a modelagem: reforçar aproximações sucessivas. Para ensinar um pombo a girar sobre si mesmo, reforça-se primeiro um leve movimento da cabeça para o lado, depois um quarto de volta, depois meia volta. Em pouco tempo o animal gira.

No artigo "Superstition in the pigeon" (1948), Skinner descreve pombos que recebiam alimento em intervalos regulares, independentemente de suas respostas. Alguns desenvolveram movimentos repetitivos. Ele interpretou o resultado como fortalecimento acidental de comportamentos próximos à entrega da comida e o comparou à superstição humana. A interpretação de Skinner deve ser distinguida do procedimento observado.

Na escola, em casa, no trânsito

Os exemplos cotidianos dependem do efeito observado. Se o elogio faz um aluno perguntar mais, funcionou como reforço positivo. Se arrumar o quarto interrompe uma cobrança e essa resposta se torna mais frequente, há reforço negativo. Uma multa só é punição, no sentido técnico, se reduzir o comportamento a que se segue. O nome da consequência ou a intenção de quem a aplica não determinam sozinhos sua função.

Na clínica, a análise do comportamento aplicada usa reforço e modelagem para ensinar habilidades, por exemplo a crianças com autismo, e as terapias comportamentais usam o manejo de contingências em casos de dependência química.

Operante e respondente

O condicionamento de Ivan Pavlov, chamado clássico ou respondente, funciona de outro modo. Nele, um estímulo neutro (a campainha) passa a provocar uma resposta reflexa (a salivação) porque foi associado a outro estímulo (a comida). O que importa é o que vem antes. No operante, o que importa é o que vem depois, e a resposta é uma ação, e não um reflexo.

Na vida real, os dois se misturam. O medo de dentista pode ter origem respondente (dor associada ao consultório) e ser mantido por um operante (faltar à consulta alivia a ansiedade, o que reforça faltar). Para situar Skinner entre as escolas, veja principais abordagens da psicologia.

Onde o modelo para: Chomsky, Lewis, Aristóteles

Até aqui, o condicionamento operante descreve algo real e útil. A discussão começa quando ele é promovido de mecanismo entre outros a explicação de tudo.

Em 1959, Noam Chomsky publicou uma resenha crítica de Verbal Behavior Amazon (1957). Argumentou que a explicação da linguagem exigia enfrentar a capacidade de produzir e compreender frases novas e questionou a extensão dos conceitos do laboratório à linguagem humana. A resenha tornou-se uma referência no debate entre behaviorismo e abordagens cognitivas.

Em Para além da liberdade e da dignidade Amazon (1971), Skinner defendeu que a ideia de um "homem autônomo", que escolhe e merece louvor ou censura, é uma ficção pré-científica, e que a sociedade deveria planejar deliberadamente as contingências que formam as pessoas. No capítulo 9, ele cita A Abolição do Homem Amazon , de C. S. Lewis, e aceita a acusação: o que está sendo abolido, diz, é o homem autônomo, e essa abolição já tardava.

Lewis tinha escrito em 1943, sem pensar em Skinner. No capítulo 3 do livro, imaginou os "Condicionadores", uma elite que, tendo se libertado de todo valor objetivo, passaria a fabricar os valores das gerações seguintes. A pergunta dele permanece de pé: se os planejadores também são produto de condicionamento, com que critério escolhem o que reforçar? Sem uma ordem moral que não seja ela mesma produto de reforço, o planejamento só pode seguir o gosto de quem planeja.

A tradição clássica já conhecia o poder das consequências. Aristóteles, na Ética a Nicômaco Amazon (II, 1), diz que nos tornamos justos praticando atos justos, e no capítulo 3 lembra que a boa educação ensina a sentir prazer e dor com as coisas certas. No capítulo 4 ele acrescenta uma distinção que escapa ao laboratório: o ato virtuoso exige que a pessoa saiba o que faz, escolha o ato por ele mesmo e aja a partir de uma disposição firme. A criança que arruma o quarto para ganhar um prêmio ainda não é ordeira. Quem educa pode usar as consequências com inteligência, porque elas moldam o comportamento, e ainda assim mirar mais longe: que a criança faça o bem também quando ninguém está reforçando nada. Esse ponto aparece desenvolvido em Aristóteles: hábito e formação do caráter e em William James e o hábito.

Por onde começar a ler Skinner

O mais acessível para entrar é Sobre o behaviorismo Amazon ↗ (About Behaviorism Amazon , 1974; edição brasileira da Cultrix), que Skinner escreveu para responder às objeções mais comuns: a introdução abre com uma lista de vinte afirmações correntes sobre o behaviorismo que ele considerava equivocadas. Depois vem Ciência e comportamento humano (1953), mais longo e sistemático, em que reforço, punição, extinção e controle social aparecem aplicados à vida cotidiana. The Behavior of Organisms (1938) e Schedules of Reinforcement Amazon (1957) são obras de laboratório, para quem quer ver curvas e dados. Por último ficam os dois livros em que ele leva a teoria para a sociedade: o romance Walden II Amazon (1948), sobre uma comunidade planejada segundo princípios behavioristas, e Para além da liberdade e da dignidade (1971). Lidos nessa ordem, os dois últimos chegam com o contexto de que precisam, e fica mais fácil avaliar a objeção de Lewis.

Leitura recomendada

  • Sobre o behaviorismo Amazon ↗, de B. F. Skinner (Cultrix): a porta de entrada, em que o próprio Skinner expõe os conceitos básicos do behaviorismo e responde às leituras que considerava distorcidas.
  • Ciência e comportamento humano Amazon ↗, de B. F. Skinner (Martins Fontes): a exposição sistemática do próprio Skinner, já aplicada ao ser humano, para ler depois de Sobre o behaviorismo Amazon .
  • O behaviorismo clássico Amazon ↗, de John B. Watson (Hogrefe): oito textos do fundador do behaviorismo, sete deles traduzidos pela primeira vez para o português, com notas históricas; é a escola de onde Skinner partiu.
  • A Abolição do Homem Amazon ↗, de C. S. Lewis (Thomas Nelson Brasil): o livro curto que o próprio Skinner citou e quis responder.

Receba novos textos do Olavete: cadastre seu email na seção Carta do Olavete, na página inicial.