Daniel Defoe (c. 1660–1731) foi comerciante, panfletário, jornalista, agente político e escritor inglês. Robinson Crusoé Amazon , publicado quando ele tinha perto de sessenta anos, ocupa apenas uma parte de uma carreira marcada por religião, comércio, guerra, dívida e opinião pública.

A quantidade exata de textos atribuídos a Defoe é incerta porque muitos saíram anonimamente ou sob pseudônimo. A Poetry Foundation observa que centenas de atribuições continuam discutidas.

Dissidência religiosa e comércio

Defoe nasceu em Londres, provavelmente em 1660, como Daniel Foe. Sua família pertencia aos dissidentes protestantes, excluídos de certas instituições pela Igreja estabelecida. Estudou numa academia dissidente e optou pelo comércio em vez do ministério.

Negociou diferentes mercadorias, viajou e declarou falência em 1692. Dívidas reapareceriam ao longo da vida. Acrescentou “De” ao sobrenome na década de 1690, numa mudança gradual, e não como título de nobreza comprovado.

Panfleto, sátira e prisão

The True-Born Englishman Amazon (1701) ridicularizou ataques xenófobos ao rei Guilherme III ao mostrar a mistura histórica do povo inglês. Em The Shortest-Way with the Dissenters Amazon (1702), Defoe imitou extremistas anglicanos e levou seu argumento persecutório ao absurdo.

A ironia não foi recebida apenas como ironia. Defoe foi preso e exposto no pelourinho em 1703. Escreveu então “A Hymn to the Pillory”, convertendo a punição em evento político. Depois trabalhou secretamente para o ministro Robert Harley, produzindo informação e propaganda.

The Review e o jornalismo

Entre 1704 e 1713, produziu o periódico The Review Amazon , escrevendo grande parte de seu conteúdo. Comentava política externa, comércio e questões domésticas. Também viajou pela Escócia durante as negociações da União de 1707 e relatou opiniões a Harley.

Chamado por vezes de fundador do jornalismo moderno, Defoe pertence antes a um processo mais amplo de expansão dos periódicos. Sua mistura de notícia, comentário, persuasão e trabalho secreto mostra que as fronteiras profissionais ainda estavam em formação.

Robinson Crusoé

Publicado em 1719 como se fosse relato do próprio náufrago, Robinson Crusoé Amazon explora sobrevivência, trabalho, contabilidade, providência religiosa e domínio colonial. A ilha não é um espaço vazio: o aparecimento de Sexta-Feira revela relações de poder, conversão e escravidão.

A história de Alexander Selkirk é uma fonte provável, mas o romance combina relatos de viagem e tradições espirituais. Crusoé não é simples modelo de autossuficiência: depende de ferramentas, memórias, comércio e estruturas imperiais.

Moll Flanders, Roxana e o ano da peste

Moll Flanders Amazon (1722) dá voz retrospectiva a uma mulher que atravessa casamento, crime, transporte penal e busca de segurança. Roxana Amazon (1724) acompanha outra narradora que transforma relações e aparência em meios de sobrevivência, sem alcançar estabilidade moral.

Diário do Ano da Peste Amazon (1722) recria a epidemia londrina de 1665 com documentos, números e cenas narrativas. Defoe era criança durante a peste. O livro não é diário testemunhal escrito naquele ano, mas ficção documental baseada em pesquisa e memória coletiva.

Legado

Defoe morreu em Londres em 24 de abril de 1731. Sua ficção ajudou a desenvolver a ilusão de testemunho por datas, inventários e detalhes materiais. Chamá-lo sozinho de “pai do romance inglês” simplifica uma forma construída por muitos autores e gêneros.

Uma boa sequência é Robinson Crusoé Amazon , Diário do Ano da Peste Amazon e Moll Flanders Amazon , acompanhados dos panfletos. Ela mostra que o romancista nasceu dentro da escrita política e comercial.