As regras de escrita de George Orwell são úteis porque não prometem uma fórmula de estilo. Elas servem para localizar, durante a revisão, os pontos em que uma frase deixou de dizer com precisão o que o autor queria dizer.
Elas aparecem no ensaio Politics and the English Language, publicado em 1946. Ali, Orwell critica a linguagem automática, as imagens gastas e os eufemismos que obscurecem uma ideia. O alvo principal é a prosa política, mas o método vale para qualquer texto expositivo.
As seis regras
- Evite metáforas, comparações e figuras de linguagem que você vê repetidas com frequência.
- Prefira uma palavra curta quando ela disser o mesmo que uma longa.
- Corte as palavras que puder cortar sem perda de sentido.
- Use a voz ativa quando ela tornar mais claro quem fez o quê.
- Troque jargão, estrangeirismos e termos técnicos dispensáveis por palavras correntes.
- Quebre qualquer uma das regras antes de escrever algo grosseiro ou absurdo.
As formulações acima são uma tradução de trabalho das regras do ensaio. A última é decisiva: elas são instrumentos de julgamento, não uma cartilha. Às vezes uma frase longa, uma voz passiva ou um termo técnico é a escolha mais exata.
Como usar as regras na revisão
Termine um rascunho e faça uma segunda leitura procurando uma coisa de cada vez. Primeiro, sublinhe as abstrações: “processo”, “questão”, “cenário”, “aspecto”. Depois pergunte se o texto nomeia um fato, uma ação ou uma pessoa. Em seguida, procure verbos que podem substituir locuções como “realizar uma análise” ou “fazer uma consideração”.
Leia também as frases em voz alta. Quando uma sentença exige que você volte ao início para entender o sujeito, talvez ela esteja escondendo a ordem real das ideias. Reescreva-a em duas frases e compare. A versão mais curta não vence sempre; vence a que preserva melhor a relação entre as partes.
Clareza não é empobrecimento
Escrever de modo claro não é eliminar nuance. É dar ao leitor os elementos para perceber a nuance sem depender de palavras vagas. Em textos de estudo, isso começa por separar o que é citação, interpretação e informação verificável. Antes de publicar, confira os nomes, as datas e a fonte da afirmação central.
As seis regras de Orwell funcionam bem como uma lista final: esta imagem ainda tem força? Há uma palavra menor e mais precisa? Sei quem age nesta frase? Se a resposta for não, a revisão ainda não terminou.
