Os EUA e a Nova Ordem Mundial Amazon reúne um debate escrito entre Olavo de Carvalho e Aleksandr Dugin, realizado pela internet entre março e julho de 2011 e publicado em livro em 2012. Não foi uma conversa ao vivo nem uma gravação transcrita. Cada participante apresentou uma tese inicial, respondeu ao adversário e encerrou sua argumentação por escrito.
Qual era a pergunta do debate
O tema proposto era o papel dos Estados Unidos na formação de uma nova ordem mundial. Dugin argumentava a favor de um mundo multipolar e de grandes blocos civilizacionais capazes de conter a hegemonia americana. Olavo contestava tanto a descrição dos Estados Unidos como centro unitário do poder global quanto o projeto geopolítico defendido por Dugin.
Os debatedores não partiam do mesmo vocabulário. Dugin tratava Estados, civilizações e espaços geopolíticos como unidades centrais. Olavo insistia na atuação de redes ideológicas e organizações transnacionais que, segundo ele, não podiam ser reduzidas aos interesses oficiais de um único país.
A posição de Aleksandr Dugin
Dugin associa o período posterior à Guerra Fria a uma ordem unipolar liderada pelos Estados Unidos. Contra essa ordem, propõe a multipolaridade: diferentes civilizações ou grandes espaços teriam autonomia política e estratégica. A Rússia ocuparia uma posição central num bloco eurasiático.
Seu argumento combina geopolítica, crítica ao liberalismo e uma concepção civilizacional da política. No debate, ele procura enquadrar o poder americano como o principal obstáculo à pluralidade mundial.
A posição de Olavo de Carvalho
Olavo rejeita a ideia de que o governo americano controle sozinho o processo global. Sua tese identifica três projetos de poder em disputa: o establishment ocidental ou globalista, o eixo russo-chinês e o islamismo político. Para ele, instituições sediadas nos Estados Unidos poderiam atuar contra interesses nacionais americanos.
A resposta também acusa o projeto eurasiano de disfarçar ambições imperiais russas sob a linguagem da multipolaridade. Parte importante da divergência está, portanto, na definição das unidades reais de poder: Estados e blocos territoriais para Dugin; redes ideológicas e movimentos transnacionais para Olavo.
Como o livro está estruturado
A edição conserva o caráter de troca argumentativa. Primeiro vêm as exposições iniciais; depois, respostas e réplicas. Essa ordem permite observar como cada autor seleciona pontos do texto adversário e como algumas objeções permanecem sem resposta comum.
O livro rende mais quando o leitor separa descrição, previsão e juízo de valor. Afirmações sobre estratégia russa, política americana ou movimentos islâmicos precisam ser verificadas em fontes históricas e geopolíticas independentes. O debate registra as posições dos autores em 2011; não demonstra sozinho que seus diagnósticos posteriores estavam corretos.
O que o livro esclarece
A obra é útil para comparar duas correntes antiliberais que discordam sobre Estados Unidos, Rússia e globalização. Ela também mostra por que a palavra “multipolaridade” pode ter sentidos diferentes: uma distribuição descritiva de poder ou um programa político favorável a blocos civilizacionais.
Seu limite é o caráter muito amplo das teses. Os participantes tratam processos mundiais complexos por meio de poucos agentes gerais. O leitor deve perguntar quais evidências sustentam cada agente proposto, que fatos poderiam contrariar a hipótese e como a conjuntura de 2011 condiciona os argumentos.
Uma retrospectiva publicada pela Gazeta do Povo registra as datas, o formato escrito e a publicação em livro. Para entender a obra, é essencial manter essa cronologia e não descrevê-la como encontro presencial ou debate em vídeo.
