Não há um número universal de livros que uma pessoa deva ler em um ano. Tempo disponível, dificuldade das obras, propósito de estudo e experiência prévia mudam bastante essa conta. A meta de sessenta livros atribuída a Olavo de Carvalho é mais útil como uma proposta de distribuição entre áreas do que como uma prova de produtividade.

A divisão proposta
A lista separa sessenta livros assim:
- 15 de ficção, teatro e poesia;
- 20 de história, memórias e jornalismo;
- 10 de ciências sociais;
- 5 de ciências naturais;
- 5 de artes; e
- 5 de filosofia, lidos mais devagar e com estudo.
Ela também menciona de 100 a 200 leituras inspecionais. Em Como ler um livro, Mortimer J. Adler usa esse termo para uma primeira inspeção da obra: observar título, sumário, prefácio, capítulos e trechos decisivos para saber do que o livro trata e se merece uma leitura completa. Não é o mesmo que contar centenas de livros como se todos tivessem sido estudados.
Transforme a meta em um plano possível
Sessenta livros equivalem a cinco por mês, mas essa média pode enganar. Um romance curto, uma coletânea de ensaios e uma obra filosófica exigem ritmos diferentes. Em vez de tentar compensar cada semana, organize o ano por blocos: deixe espaço para leituras longas, releituras e períodos de anotação.
Comece pelo que você consegue sustentar durante três meses. Se hoje lê doze livros por ano, uma meta de dezoito ou vinte e quatro, distribuída por gêneros, pode ensinar mais do que uma corrida para alcançar sessenta. Ao fim de cada mês, reveja quais livros foram apenas iniciados, quais merecem retorno e quais referências apareceram com frequência.
Quantidade só ajuda quando preserva a atenção
Uma bibliografia variada amplia o repertório, mas o ganho vem da qualidade da atenção. Faça anotações breves, compare autores que tratam do mesmo problema e reserve tempo para verificar citações. Para organizar esse processo, veja como fichar um livro e como construir um hábito de leitura.
Use a lista como mapa, ajuste as proporções à sua finalidade e não deixe que a contagem substitua a compreensão.
